domingo, 18 de dezembro de 2011

NATAL DE 2011 - CARTINHA PARA O PAPAI NOEL


Querido Papai Noel:

Inicialmente, Papai Noel, para justificar minha cartinha, e o teor da mesma, quero me apresentar: sou uma criança, já idosa, com 67 anos, mas com um coração de menino.

Nos idos da minha infância, que se perdeu nas brumas do tempo, e dentro das peculiaridades da inocência nela contida, escrevi, para você, Papai Noel, diversas cartinhas, nas quais externava os meus pedidos, que se traduziam em modestos brinquedos, como bolas, carinhos, etc.

Em nenhuma dessas oportunidades recebi sua visita, ou os brinquedos que pedi. Aguardava, no dia de Natal, a tua vinda, até alta madrugada, o que nunca ocorreu.

Era interessante que no dia de Natal, mais precisamente na noite de Natal, sentia que papai e mamãe ficavam tristes, mais do que nos dias normais, e somente com o passar dos Natais, e da vida, quando já adolescente, constatei que éramos pobres (não sabia que havia pobres e ricos), e que você, Papai Noel, não vinha visitar os pobres, pois talvez não sobrasse tempo, uma vez que dedicava todo o seu tempo, para a visita e entrega dos presentes, às crianças ricas.

Sempre, mesmo agora, quero acreditar que a sua ausência se deveu a algum problema com as renas ou com o trenó, ou algum contratempo, deveras importante, que o impedisse de vir. Por todos estes anos acreditei que um dia você viria, e iria me trazer um daqueles modestos brinquedos que pedi nas minhas inocentes cartinhas.

No entanto, Papai Noel, independentemente possam, em algum Natal, ser atendidas aquelas cartinhas, mando esta pedindo presentes que aparentemente não são de sua alçada, uma vez que, por muitos longos, anos não encontrei para quem pedir, pois não existem pessoas ou entidades que possam atendê-los.

Desejaria que, neste Natal, você mandasse:

1 - um Brasil democrático, pois aquilo que aqui temos, e que se convencionou chamar de democracia, é muito frágil, presa fácil para bandidos, facínoras e corruptos.

2 - um Estado de Direito, pois até agora não temos um por aqui, uma vez que o “nosso estado de direito” se dobrou à violência, a bandidagem, e a impunidade. É mais cômodo para este Estado de direito mandar instalar portas giratórias nos bancos e impedir que brasileiros honestos usem seu celular no interior dos bancos, do que combater a bandidagem. Temos que fazer das nossas casas verdadeiras prisões, com muros altos, grades, e cercas elétricas, pois a grande maioria dos bandidos esta circulando livremente, sem que sejam importunados. Sem contarmos, ainda, com a corrupção incontrolável que assola o país, sem qualquer tipo de punição, tirando toda a credibilidade daquilo que aqui nós chamamos de estado de direito.

3 – Um artigo constitucional que diga “que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, “à igualdade, à segurança” e à propriedade, mas que realmente seja cumprido, pois o que temos em nossa constituição freqüentemente não é cumprido, pois acabou por criar um grupo de brasileiros que são “mais iguais”, e que usam o hospital Sírio Libanês para tratar suas doenças, cujas despesas são pagas pelos iguais deste país, e que normalmente nem sequer direito a tratamento têm. Não esqueça, também, de mandar um judiciário que realmente faça cumprir esta cláusula como ela está escrita.

4 – a punibilidade para os políticos corruptos, pois a corrupção deslavada que assola o país atingiu este patamar não só pela omissão dos governantes, como também pela impunidade, que é um incentivo às práticas criminosas.

5 – o julgamento do “mensalão”, pelo Supremo Tribunal Federal, antes da prescrição.


Acho, então, Papai Noel, depois de 67 natais, que não estou pedindo nada mais justo, embora admita que não será fácil atender o pedido externado nesta cartinha.

É por isto, afinal, que acredito em Papai Noel.

JOÃO SZABO
18/12/2011

domingo, 4 de dezembro de 2011

PASSADO, PRESENTE E FUTURO

“Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca, 
É não ver o futuro que nos convida...”

Muito se tem falado e escrito sobre estes três momentos do tempo. Considerando o ser humano em sua vida material, na realidade momento mesmo, como entendido, é uma micrométrica parte do tempo como convencionamos medi-lo, através de milênios, séculos, anos, meses, dias, horas, minutos, segundos, décimo de segundo, centésimo de segundo, milésimo de segundo, e outros menores, que não alteram o objetivo deste texto.

O presente é o momento, inclusive, que separa o passado do futuro, pois a quantidade mínima de tempo mensurável, o agora, é o ponto que separa o passado do futuro.

O passado é o tempo já decorrido, nada podendo ser feito para mudá-lo, não importa quantas vidas tenhamos vivido. Dele, quanto aos nossos momentos decorridos, desta vida, e não de outras, temos lembranças, algumas que se perdem nas brumas do tempo.

O futuro é todo o tempo desconhecido, que não ocorreu, e, portanto, também, totalmente incerto quanto ao seu tempo e sua existência, se considerarmos a existência humana, pelo menos. A única coisa que sabidamente cada ser humano sabe que irá acontecer no futuro, é a morte corporal, que nada mais é que uma transformação da forma da matéria. Portanto o tempo, para os seres humanos, se traduz no passado que vai do nascimento até o agora, e o futuro, do agora até a morte. A quantidade de tempo passado, neste sentido é conhecida, o micrométrico agora também é conhecido, e a quantidade de tempo que comporá o futuro é desconhecido, pois desconhecido é o momento da morte corporal.

O presente é sutil, é fugaz, pois no momento do piscar de olho, sua execução completa já o torna passado. O presente, de uma forma mais ampla, também pode ter passado e futuro. Quando digo que no momento estou lendo um livro, a leitura do livro é presente, mas cada página lida é passado, e as ainda a ler é futuro. Diríamos, então, que o agora, o presente, vai absorvendo o futuro, e ampliando o passado. É como um ponto móvel que transita entre o nascimento e a morte. A cada momento que passa, o presente se torna passado e o futuro tornando-se presente, passa a integrar o passado até a consumação do tempo de vida do organismo humano, que com a morte se transforma, encerrando-se o ciclo de vida, como o conhecemos.

Esta sensação de passado, presente e futuro deixa de ser considerada quando deixamos de existir como seres materiais, pois pertenceremos ao passado, como tantos seres que nasceram, viveram e morreram.

Assim existem os seres vivos que vivem no presente, aqueles que já faleceram e, portanto, pertencem ao passado, e aqueles que ainda vão nascer e, portanto, pertencem ao futuro.

Assim analisado o tema, vemos que o passado, o presente e o futuro independem da existência humana, pois houve passado antes do homem existir, houve presente, como hoje os há, e também sempre os houve, e que se transformaram em passado, e houve o futuro, parte que se transformou em passado, e parte que ainda não ocorreu.  Como a mensuração do tempo foi criada pelo ser humano, utilizando os mecanismos que a natureza lhe ofereceu, como a noite e o dia, a existência do sol e da lua, as estrelas, concluiremos que na inexistência do ser humano, estes três momentos, passado, presente e futuro, se fundem num só tempo formando a eternidade, que sempre existiu, existe e existirá. O ser humano, portanto, como nós nos concebemos, aparecemos e desapareceremos dentro desta eternidade, pelas vias da transformação.

Os procariontes, com indícios de DNA, surgidos na Terra, no período Arqueano, há cerca de 3,5 bilhões de ano (medida de tempo criada pelo ser humano), foram a primeira forma de vida do planeta, os quais desapareceram, por transformação, dando origem a outros seres mais complexos, os Eucariontes, que, por sua vez, deu origem a outros, assim sucessivamente, chegando até o ser humano, que por certo desaparecerá como tal, dando origem a outros seres mais complexos e evoluídos.

O passado do ser humano é toda a existência da vida ocorrida no passado até seu surgimento. O presente do ser humano, que já dura milênios, é como o concebemos hoje, e o futuro é uma incógnita, pois ainda não ocorreu.

Da mesma forma que ocorre com o tempo microscópico da vida humana, o presente vai abiscoitando uma parte do futuro e transformando-a em passado. Foram assim que os bilhões de anos, já estudados, aconteceram.

No início, o início foi o presente e todo o resto era futuro. Não havia passado. Com o passar do primeiro presente surgiu o passado. O presente foi se transformando em passado; o futuro em presente, e assim de forma contínua. Não esquecendo que tudo isto representa a eternidade que não conhecemos, pois ela é tudo: presente, passado, e futuro. Aliás, o próprio passado, o presente e o futuro são criações da existência humana.

JOÃO SZABO
04/12/2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

DESCONSTRUÇÃO


(des.cons.tru.ir)
                        v.
  1  Destruir (uma construção) ou desfazer (qualquer tipo de obra), ger. para refazê-la em outros padrões [td.: A estilista desconstruiu pedaços de crochê para transformá-los em coletes.]
(Aulete – Dicionário Digital)

A regra geral, para o ser humano, é construir sempre. Construir uma carreira; construir um patrimônio, construir um lar, e tantas outras construções.

Há construções, no entanto, que depois de algum tempo de acabadas, ou mesmo durante a sua construção, necessitam tantos complementos, que não podem prosseguir.

Pode-se tentar, ao invés de implodi-las, desconstruí-las, voltando ao ponto inicial, e tentando reutilizar aqueles mesmos elementos da desconstrução, para uma nova construção, que atinja os mesmos objetivos.

Algum dos leitores já tentou isto?

Já tentou, por exemplo, desconstruir um grande amor?

Por um largo tempo um amor é construído, com juras, carinho, respeito, admiração, planos, renúncias, e tantos outros componentes que o solidificam, tornando-o uma construção sólida, quase indestrutível, pelo menos naquele momento.

Depois de solidificada a construção, surgem situações totalmente estranhas a ela, e que a tornam inútil, quase imprestável para o fim a que se destinava. Componentes totalmente alheios à vontade dos construtores dificultam a utilização daquela construção. Instala-se o tumulto, instala-se o desentendimento, como regra geral, impedindo o prosseguimento daquele projeto. Excepcionalmente não ocorre o tumulto ou desentendimento. Neste momento que surge a necessidade da implosão ou da desconstrução.

A diferença?

A implosão deixa traumas, deixa seqüelas, deixa ressentimentos, mágoas, e nenhuma saudade. Deixa uma sensação de vazio, e de fracasso.

A desconstrução, inteligente e sensata, deixa amizade, respeito, admiração, apoio, e, acima, de tudo, o principal: saudades.

No cotidiano a implosão é a norma, e a desconstrução é a exceção. Dificilmente se concebe a desconstrução de um grande amor, cujo edifício não atingiu o seu desiderato. A construção do amor, fracassado, simplesmente é destruída com violência, desorganização, e descontrole, gerando todo tipo de transtorno psicológico e material.

A desconstrução, por sua vez, diga-se de passagem, por ser a excepcionalidade, carece de paciência, desprendimento, renúncia, e por incrível que pareça, de amor.

Muitos, talvez, dos leitores, não concordem comigo, e que, talvez, também, nem sequer aceitem como possível a desconstrução inteligente de um grande amor, no entanto já foi escrito que o impossível, em número incontável de vezes, se torna possível.

JOÃO SZABO
18/10/2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

RUI BARBOSA


“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
Rui Barbosa
“(Senado Federal, RJ, Obras Completas,
Rui Barbosa. V. 41, t. 3, 1914, p. 86)"

Esta frase, não obstante tenha sido escrita há quase 100 anos, possui uma atualidade sufocante.

Se há 100 anos atrás esta frase foi escrita para a época, e se presta, mais do que nunca, à presente época, podemos concluir quase com cem por cento de certeza, que, no Brasil, nossos políticos não mudaram em nada, muito pelo contrário, estão muito piores que à época de Rui Barbosa.

JOÃO SZABO
17/10/2011

sábado, 15 de outubro de 2011

BATE BOCA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Como pode ser observado no vídeo abaixo, nem sempre as sessões. No Supremo Tribunal Federal, são mansas e pacíficas.
Ficou claro que os contendores não se mantiveram um nível civilizado, no calor do debate, prejudicando a urbanidade necessária para o mister daquele Excelso Pretório.
Clique no endereço abaixo, e acesse o vídeo no endereço que será informado, em seguida.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AS SAUDADES DO CONSTRUTOR DE SAUDADES

“Saudade: Recordação ao mesmo tempo triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; pesar, pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia. Lembranças afetuosas a pessoas ausentes” (Dicionário Escolar da Língua Portuguesa – Francisco Silveira Bueno).

Tive uma infância relativamente feliz, malgrado as dificuldades financeiras que sujeitavam meu pai e minha mãe a sacrifícios sobre humanos.

Recordo da imagem da mamãe, contando moedinhas, procurando-as no fundo das gavetas dos móveis, construídos por papai, instalados sobre o chão de tijolos de barro. Não havia luz elétrica, nem água encanada, sendo esta obtida de um poço construído no fundo do quintal. Havia um pequeno fogão à lenha, construído com tijolos, cuja lenha era buscada diariamente nas redondezas.

Não tenho muitas saudades destes tempos, e os recordo com uma certa tristeza. No entanto tenho saudades de minha mãe, linda, assoprando ou abanando a chama do fogão à lenha, para que não se extinguisse, a fim de que pudesse preparar a comida para a família.

Não tenho saudades das dificuldades financeiras que passávamos, mas tenho saudades da minha mãe, majestosa, uma verdadeira heroína, buscando moedas nas gavetas, visando suprir as necessidades básicas.

E o papai?  Tentava pela posição da Lua adivinhar as horas, em alta madrugada, para sair para o trabalho, com a eterna preocupação de não perder a hora.

Toda a infância e a juventude foram difíceis, mas haviam, incrustados neles, momentos que deixaram saudades e lindas recordações.

Aprendi, assim, que a saudade se resume aos bons momentos, ainda que estes pudessem ter ocorrido no meio de tormentas e borrascas insuperáveis.

Quando já adulto, e pai, pretendi criar bons momentos para o meu filho, e evitar, ainda que impossível, momentos de tensão e nervosismo, pelos quais ele se entristecesse. Pretendia que com estes bons momentos, tal qual eu, ele viria, no amadurecimento da vida, a sentir saudades, e, portanto, sentir as mesmas emoções que sinto quando tenho saudades dos bons momentos da infância. Os bons momentos vieram com a praia, com “os parabéns pra você”, com os eclipses do sol e da lua, cujos explicativos foram dados anos depois, com a escola, a necessidade dos estudos, das festas escolares, e dezenas de outras situações, das quais ele poderia ter boas recordações.

Mas sempre existe o imponderável, o imprevisível. As esquinas da vida, que mudam, inopinadamente, o rumo traçado para a mesma.

Aos 28 anos meu filho faleceu, após uma internação por cerca de dois dias. Falar sobre a dor, e a tristeza, geradas, somente acrescentam mais dor e tristeza, num círculo vicioso inacabável. Alguns anos já se passaram, mas o vácuo da sua ausência jamais foi preenchido, e, acredito, nem o será, pois o tempo de vida que me resta, por mais elástico que possa ser, será insuficiente para que isto ocorra.

No entanto aprendi a ter muitas saudades lindas com ele. Justamente eu que estava tentando construir as suas saudades, saudades estas que ele não teve tempo de sentir. 

E ficou claro que, apesar da tempestade que desabou sobre mim, construí, embora sem ter tido esta pretensão, saudades imensas, justamente daqueles momentos que estavam sendo vividos para construir as saudades que um dia ele poderia vir a ter.

João Szabo
14/10/2011

UM SONHO?

Por diversos dias esquentei a cabeça com um problema jurídico, que de princípio se afigurava fácil, mas como conseqüência dos estudos e pesquisas realizados, se tornou complexo e de difícil solução.

Vasculhei os livros de direito disponíveis, pesquisei jurisprudência, ensaiei verdadeiros malabarismos processuais, sem que surgisse uma solução lógica e justificável para o problema.

Diversos dias se passaram, sem que o busilis do problema se dissolvesse.
Na última noite, após o jantar, resolvi rememorar todo o problema, e raciocinar sobre cada um dos pontos duvidosos, visando, de uma forma definitiva, encontrar o caminho processual e encaminhar o problema.

Já, tarde da noite, exausto, e sem qualquer resultado plausível, fui para a cama, procurando a recuperação necessária para o enfrentamento da faina do dia seguinte.

Impregnado pela névoa da sonolência, encontrei-me caminhando pela área central de São Caetano do Sul, onde tenho meu escritório, mais precisamente na Rua Santa Catarina. Estava, neste momento, passando em frente ao escritório do meu ilustre e eterno amigo Doutor Odair Ávila Marafiotti, grande causídico criminalista, respeitado e admirado, e que circunstancialmente enveredava pela seara civil, com igual desenvoltura e eficiência.

Adentrei no seu escritório e, como de costume, fui recebido com aquele abraço amigo, e com aquela alegria contagiante, nele já conhecida.

Em ligeiras pinceladas esbocei o dilema profissional que me incomodava, e como sempre, também, foi todo ouvidos, comentando aqui ou ali algum tópico, que entendia importante, para o entendimento da questão.

Colocado o problema, após alguns curtos comentários sobre o mesmo, e sem maiores delongas, esboçou-me a solução do problema, inclusive citando alguns julgados que amparassem o encaminhamento do problema.

Fiquei duplamente feliz: primeiramente por ter falado com este amigo, que de há muito não via, e segundamente por ter resolvido um problema jurídico que já me transtornava há alguns dias, e cuja solução se perdia no horizonte.

Ao acordar, na manhã seguinte, e já sob a água tépida do chuveiro, tomei consciência de que tudo fora um sonho. Mesmo assim, após o banho, anotei ligeiramente o esquema que o Doutor Odair me havia fornecido, confirmando após alguns estudos e consultas no Código Processual, que a solução adequada era aquela, podendo ser encaminhada de forma segura.

No entanto, a emoção me invadiu, quando, refeito da satisfação de ter a solução do problema, lembrei que este grande amigo, e profissional ilibado, havia falecido há mais de um ano. Mesmo assim não deixou de auxiliar o amigo que, momentaneamente, necessitava  um adjutório.

João Szabo
13/10/2011  

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O IMPOSSÍVEL POSSÍVEL

Diariamente vemos coisas impossíveis acontecendo, pelo menos coisas que até um certo tempo atrás eram dadas como impossíveis de acontecer.

Hoje são possíveis os transplantes de órgãos, que até alguns anos atrás eram dados como impossíveis. O próprio romance “Frankenstein: or The Modern Prometheus”, em inglês, de Mary Shelley, sempre foi considerado como ficção científica, e, no entanto, as experiências do personagem Victor Frankesntein, um estudante de ciências naturais, que constrói um monstro em seu laboratório, com sucessivos transplantes de membros e partes de corpos humanos, acabou com a ficção científica, criando-se uma realidade que hoje, nas ciências médicas, descortinou possibilidades infinitas na reconstrução de ossos, membros, peles e parte do corpo. Neste sentido, então, o impossível tornou-se possível.

A travessia dos mares era impossível antes do advento das caravelas, na época das Grandes Navegações. O entendimento, em torno do final da idade média, de que a terra era plana, e no seu extremo havia um abismo onde qualquer embarcação iria soçobrar, aliada à figura de monstros, como o gigante Adamastor, citado na obra Lusíadas, nas estrofes 37 a 60, de Luís Vaz de Camões, tornavam impossível se aventurar por aqueles mares.

No entanto Cristóvão Colombo descobriu a América e Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, navegando justamente por aqueles mares, nos quais era impossível a navegação.

Julio Verne, considerado o precursor da Ficção Científica, já em 1865, escreveu “Viagem ao redor da Lua”, narrativa na qual conta em detalhes, uma viagem ao satélite terrestre, desde sua concepção até o pouso naquele astro.  Era apenas ficção científica, pois isto era impossível de se realizar na prática.

Aproximadamente, 100 anos após, e cerca de 500 anos das grandes descobertas, o homem realizou o impossível, quando no dia 20 de julho de 1969, Neil Armtrong o astronauta da Apolo 11, pousou na Lua pela primeira vez na história da humanidade, tendo ainda como tripulantes Edwin “buzz” Aldrin e Michael Collins. Isto era totalmente impossível, antes do homem conseguir voar, com “o mais pesado que o ar”, marca que foi conquistada por Alberto Santos-Dumont, quando pilotou, em 23 de outubro de 1906, seu avião 14 bis.

Mais impossíveis que deixaram de existir, pois se tornaram possíveis?:

A Telefonia móvel, o chamado telefone celular. Há alguns anos, o aparelhinho nada mais era que ficção científica. Este aparelho, o celular, como o concebemos e utilizamos hoje, era o meio de comunicação, com a tripulação, do Capitão James Tiberius Kirk, interpretado por William Shatner, na série Star Trek (Jornada nas estrelas). Era impossível, há um século, admitir tal meio de comunicação. No entanto, hoje, bilhões de pessoas utilizam este meio de comunicação, nos seus contatos diários.

Podemos citar coisas impossíveis? Podemos, mas pelo cotidiano da humanidade, e pela prática diuturna da existência humana, se transformarão em possível.

Podemos afirmar, então, que o impossível não existe? Há muitas dúvidas quanto a isto, pois somente o tempo pode dizer se uma coisa impossível, num momento, pode ser possível em outro momento.

Muitas gerações entenderam como impossíveis coisas que se tornaram possíveis pelas gerações posteriores.

Os milagres atribuídos a Cristo são fatos que, pelo menos naquele momento, representaram a transformação do impossível no possível.

A impossibilidade de morrer, por exemplo. Temos ainda que definir o que é a morte, e se ela realmente existe, para que possamos discernir entre a possibilidade e a impossibilidade da morte. É possível evitá-la ou não?  Se isto, no decorrer do tempo, será atingido ou não?

Se entendermos que a morte física, como a concebemos, é mera transformação, então não haverá que falar, neste caso, em possível ou impossível, pois haverá uma perda de objeto para discussão.

No entanto, considerada a existência da humanidade como um todo, podemos afirmar, com grande porcentual de certeza, e disto provas temos em épocas e oportunidades várias, que o impossível não existe.

Muito, ainda, poderá ser escrito sobre o tema, com mais vagar, profundidade de análise e estudos.

João Szabo
12/10/2011

sábado, 8 de outubro de 2011

"OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA"


É um provérbio árabe, de amplo alcance e profunda interpretação.

De uma forma geral representa aquela situação, em que  não se deve preocupar com muitos dos acontecimentos diários, pois assim que você passar por eles, e após todos os “latidos” que foram ouvidos, tudo voltará ao normal.

É sabido que a grande maioria dos problemas trazem mais preocupações pelas suas conseqüências, do que pelos problemas em si, e em uma imensa quantidade de vezes a experiência humana demonstra que as conseqüências previstas não ocorrem, pois surgem outras que acabam por remeter ao esquecimento o primeiro.

Não devemos, portanto, responder de forma precipitada aos latidos dos cães.

Em inúmeras oportunidades existem os cães de plantão, que estão dispostos a ladrar à sua simples passagem, de tal sorte que você passará a latir com uma certa constância se latir para todos aqueles que ladram para você.

Às vezes isto até acontece com a pessoa do lado, num restaurante, na rua, e até com um vizinho que resolve latir somente porque viu você, ou porque você está passando.

A qualidade do cão que ladra também deve ser levada em consideração.

Normalmente o cão que ladra para você, enquanto você passa,  é um cão vira lata, sem nenhum pedigree, pois cães que latem, sem qualquer motivo, normalmente são cães despreparados, que não merecem qualquer atenção.

Tal provérbio também se aplica aos seres humanos, pois aqueles que  espalham boatos sobre a conduta ou caráter de outras pessoas, já por isto não são pessoas socialmente preparadas, tendo um caráter e uma decência duvidosas. Seriam os cachorros vira latas. E nunca poderiam se comparar com um cão de pedigree, até porque se assim fosse teriam preparo para não agir de forma tão socialmente reduzida. Se das pessoas que agem assim, for buscado o seu passado, verificaremos que são pessoas que normalmente não tiveram condutas honradas, ou que tiverem um passado negro, cheio de vícios e atitudes repreensivas, e que não se prepararam intelectualmente, preferindo a vida desregrada. Não é difícil encontrar este tipo de cachorro, ou cadela, na sociedade.

“Os cães ladram e a caravana passa” enseja, também, a monotonia do cotidiano, a monotonia do passo lento e cadenciado do camelo, já treinado pelo seu dono para que não se preocupe com o ladrar dos cães, monotonia esta que se estende por um largo período de tempo, demonstrando que aquilo sempre foi assim e que se repetirá no decorrer do tempo.

 “Os cães ladram e a caravana passa” enseja, também, a rotina repetida por anos, e séculos à fio. Durante este tempo mudam os cães, mudam os camelos, e os beduínos, os árabes do deserto, mas os cães continuarão a ladrar, e as caravanas continuarão a passar.

Não latas tu, portanto, para os cachorros e cadelas de plantão, pois os e as há, no cotidiano, em quantidade incomensurável.

JOÃO SZABO.
08/10/2011

domingo, 18 de setembro de 2011

LEMBRANÇAS DA REPÚBLICA, QUE NÃO DEIXAM SAUDADES, NÃO PARA ALGUNS, PELO MENOS.

É preciso lembrar, diuturnamente, destes desmandos, pois são espécies de conduta que estão enquadradas dentro do gênero corrupção. Não esqueçamos que é o dinheiro do contribuinte que sustenta este ramo da corrupção. Claro que, considerada a corrupção generalizada que assola a nação, coibir isto é apenas extrair uma gotícula de água do oceano. E extrair uma gotícula de água do oceano é uma coisa, e esvaziá-lo é outra bem diferente.


CONSULTOR JURÍDICO

Vereadores e secretários recebem o Bolsa-Família

Principal programa social do governo, o Bolsa-Família ajudou a reeleger o então presidente Lula em 2006, foi cabo eleitoral de Dilma Rousseff no ano passado e mereceu elogios até mesmo de candidatos da oposição, que prometeram ampliá-lo se chegassem ao Planalto. Mas uma parte do dinheiro que deveria reduzir um pouco os efeitos da miséria em milhões de lares brasileiros, oito anos depois de criado o programa, ainda é desviada para beneficiar pessoas que não se encaixam no perfil exigido. A notícia é do jornal O Estado de Minas.
Em 2010, último ano do governo Lula, 1.327 funcionários públicos municipais com renda familiar per capita acima da estipulada pelo Bolsa-Família receberam o benefício, de acordo com levantamento feito pelo Estado de Minas com base nos relatórios divulgados pela Controladoria-Geral da União, em suas investigações sobre a aplicação de verbas públicas federais nos municípios. Desses, pelo menos 30 são mulheres de vereadores e 15 mulheres de secretários de prefeituras. Muitos beneficiários ainda continuaram recebendo o benefício mesmo depois das visitas dos fiscais em março, maio e julho.
Servidor público receber Bolsa-Família não é uma irregularidade ao pé da letra. Os casos apontados pela controladoria nos relatórios divulgados neste início de ano, entretanto, estão todos fora da lei, já que os funcionários têm renda familiar per capita acima de R$ 140, valor máximo para ter direito ao recurso. O problema é que o cadastro das pessoas que recebem o recurso é feito pelas prefeituras. Em um dos relatórios divulgados, a CGU questiona a concessão de benefícios irregulares a servidores municipais: “Esta (a prefeitura) tem acesso tanto à ficha financeira quanto ao cadastro dessas pessoas, o que já seria suficiente para verificar a incompatibilidade de renda per capita”. A CGU ressalta ainda que o Decreto 5.209/2004, do presidente Lula, proíbe que políticos eleitos em qualquer esfera de governo recebam recursos do Bolsa-Família.
Em Frei Inocêncio, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, a controladoria flagrou a mulher do então secretário de Obras, Cyntia Rodrigues Pereira, recebendo o benefício no valor de R$ 68. Ela teve a poupança bloqueada em abril, um mês depois da visita da CGU à cidade. Seu marido, Marcelo Vieira Cabral, foi exonerado da secretaria em outubro, devido a atritos com o prefeito. Cyntia disse que já recebia o benefício antes de conhecer Marcelo. Ela assumiu que não precisava da verba, mas explicou que o dinheiro era para ajudar o irmão, de 14 anos. “Somos órfãos e meu irmão precisava desse dinheiro”, afirmou.
Em benefício próprio
Nos grotões do Maranhão, em Benedito Leite, cidade com pouco mais de 5,3 mil habitantes, os desvios do recurso federal beneficiaram a vereadora Idelvania Carreiro de Morais. Ela, diferentemente do seu companheiro na Câmara Municipal, que pôs a mulher como titular no cadastro, recebia a verba diretamente. Segundo as informações da CGU, a vereadora não declarou renda, mas se elegeu em 2008, de acordo com os registros da Justiça Eleitoral. Já a mulher do outro vereador, Maria Aparecida Miranda da Silva, solicitou cancelamento do benefício, em 10 de agosto, um mês depois da visita dos fiscais na cidade. Seu marido recebia no Legislativo Municipal R$1,4 mil. Os vereadores foram procurados pela reportagem, mas não foram encontrados.
Como se não bastasse secretários e vereadores receberem o benefício, a CGU encontrou até chefe de gabinete da prefeitura e coordenador do Bolsa-Família tirando proveito do dinheiro dos pobres. Estes casos foram detectados em São Expedito Lopes, no Piauí. Além de a mulher do secretário de Obras ter sido contemplada com os recursos, dois coordenadores do programa aproveitaram a situação para se cadastrar. Além deles, outros dois funcionários da prefeitura receberam o benefício irregularmente: uma professora e um servidor da Secretaria Municipal de Agricultura.
Casa própria
Em São Joaquim de Bicas, a 30 quilômetros de Belo Horizonte, na Região Central de Minas, 104 servidores municipais receberam o benefício irregularmente em 2010, de acordo com os relatórios da controladoria. Com renda de R$ 2.198, a agente da dengue Amária Aparecida Soares, dona de uma confortável casa na Rua Rio de Janeiro, no Bairro Tereza Cristina, está cadastrada no programa. A alguns quarteirões, em um barracão, mora sua irmã, titular do benefício, Neuza Rosa Soares. Com dois filhos pequenos, Neuza disse que é a única que usa o dinheiro, “até porque a minha irmã não precisa, tem casa própria”. Ela não soube explicar por que Amária está cadastrada, mas disse que já pediu para tirar o nome dela da lista. Amária Soares não foi localizada pela reportagem, seu marido, Alexandre Soares, que trabalha em uma funerária, disse não saber que sua mulher está cadastrada.
O secretário de Assistência Social de São Joaquim de Bicas, Márcio de Almeida e Silva, disse que os benefícios dos 104 servidores denunciados pela CGU já foram bloqueados. “O prefeito paga a cesta básica para os funcionários em dinheiro. Nós não sabíamos que esse valor contava como salário, por isso, a CGU encontrou tantas pessoas recebendo acima do estipulado pelo programa”, explicou. Já o controlador interno da Prefeitura de Mateus Leme, também na Região Central, Orlando Pereira, informou que o município não vai cortar o cadastro dos 27 servidores questionados pela controladoria. Ele disse que o Executivo municipal está fazendo uma nova fiscalização e que nem sempre as informações detectadas pela CGU estão corretas.
Em uma casa simples, mas com um carro na garagem, a reportagem localizou Viviane Pereira, funcionária pública de Mateus Leme, que teve o benefício cortado depois da visita dos fiscais na cidade. Ela disse que quando começou a receber o benefício não trabalhava e que depois não pediu para bloquearem o cartão. “Eu já questionei com os funcionários do programa que várias famílias que não precisam estão recebendo o benefício e que pessoas que precisam não recebem”, afirmou. O volume maior de servidores que receberam o dinheiro de forma irregular registrado pela CGU foi em Benjamin Constant, no Amazonas, onde 177 famílias, sem necessidade, receberam o benefício. Só em julho foram desperdiçados R$ 20,2 mil.


sábado, 17 de setembro de 2011

DILEMAS DE UM ESCRITOR



Confesso, leitores, que hoje estou aborrecido. Deveras contrariado mesmo.

Afiguram-se supérfluos os motivos desta contrariedade, de somenos importância mesmo, contudo somente quem tentou escrever um texto, ou um conto, ou chegou a escrevê-lo, pode ter uma ideia de como tal fato literário pode tirar o autor do sério.

Imagine o leitor que o personagem, criado para ser um vilão, se recuse obedecer ao Autor, e de uma forma totalmente inconveniente, comete, durante a narrativa, uma sucessão de boas ações, danificando totalmente a pretensão daquele, concorrendo, inclusive, de forma desleal com o mocinho do conto, evitando o obrigatório embate entre o bem e o mal, pretermitindo de forma maldosa o enredo do texto proposto pelo autor.

Pois foi isto, leitores, o que aconteceu hoje.

O que ora está sendo escrito substitui o conto que pomposamente estava escrevendo para este espaço, quando surgiu no texto um vilão turrão e desobediente, que, em nenhum momento, agiu como tal, recusando-se, de forma peremptória e intransigente, a aceitar o seu papel, e participar dos atos de maldade que lhe foram destinados no conto, com a simples alegação de que bom caráter que era, não poderia cometer aqueles torpes atos, tão somente porque assim eu, o Autor, o desejava. 

Nem cheguei a consultar o mocinho do conto, para uma possível inversão de papéis, pois o conhecendo, como já o conheço, não me atreveria a tanto, pois acredito que se assim o fizesse, perderia dois personagens: um por desobediência, e outro por melindres psicológicos, que de princípio, confesso, aceito como válidos.

Tentarei, evidentemente, convencer o vilão do conto a mudar de ideia, e colaborar para que o conto possa ser o sucesso que foi projetado. Até lá, nobres leitores, infelizmente, e sem falsa modéstia deste que vos escreve, um excelente conto deixará de ser publicado, e, portanto, apreciado.

João Szabo
17/09/2011

MOTIVOS PARA SER ROMÂNTICO



MOTIVOS PARA SER ROMÂNTICO


Talvez, após um drinque, e uma música  brega, alguns atingem o auge de um momento de romantismo.
Talvez a brisa, ao cair da tarde.
Talvez a saudade, conseqüência da distancia, e, portanto, a tristeza.
Talvez o pôr do Sol iridescente, numa tarde tremeluzente.
Talvez o perfume da manhã orvalhada.
Talvez o farfalhar das folhagens, numa tarde mole de verão.
Talvez o céu estrelado, o infinito incomensurável., o incompreensível, o desconhecido eterno e inalcançável.
Talvez o canto despreocupado e irresponsável do sabiá, no cimo das árvores, no balanço do vento, no despreocupar da vida.
Talvez uma paisagem bucólica, ao final da tarde, quando a noite vem abraçar o dia, envolvendo-o no seu manto diáfano e aconchegante, repleta de mistérios. 
Talvez a saudade de não sei o que, do nó na garganta que gera a lágrima despropositada que teima em balouçar no canto do olho, e que não se tem o interesse de enxugar, para que, temendo,  não se apague a figura hesitante da pessoa amada.
Talvez a noite enluarada, e o céu estrelado.
Talvez o mar e o balouçar das ondas espumantes, cintilantes e brilhantes, numa tarde cálida e aconchegante.
Talvez o adejar da borboleta, esbelta, linda, exuberante, com seu balé flutuante, namoricando as flores, despretensiosa e despreocupada, esquecida do passado e do futuro, e da existência.
Talvez o sussurro do vento, e o canto da brisa noturna, na busca da madrugada,.
Talvez o pulsar do coração, e a respiração ofegante.
Talvez a saudade dos lábios, e do beijo roubado, despreocupado, no entanto inesquecível. 
Talvez o brilho dos olhos, e a meiguice da pessoa amada, que flutuam em todos os cantos da mente, do coração, e do espaço material e imaterial.
Talvez o céu azulado, e o colchão de nuvens, fofas e brancas, grandiosas numa tarde de verão. O elefante, o lobo e o coelho nelas formados, e a saudade da infância perdida nas brumas do tempo.
Talvez a música sublime, e o arpejo esquecido que birra, inconveniente, nas lembranças do passado.
Talvez o semblante, a silhueta, a sombra, ou apenas a lembrança da pessoa amada.
Talvez, até, não a pessoa amada, mas os momentos de aconchego, de carinho, de afeto e de amor, vividos com a pessoa amada.
Tudo isto, talvez, e mais alguma coisa, ainda..
Talvez o odor do ser amado.
Talvez a respiração calma, e serena, do ser amado, nos momentos de calmaria, após a frágua da batalha de uma noite inesquecível de amor.
Talvez, no fundo de tudo mesmo, o carinho, o afeto, e o amor. 
Talvez tudo isto seja motivo de romantismo.
Para alguns, talvez, o rolo e os anéis da fumaça do cigarro. Para outros, talvez, o drinque e a mesa do bar.
Talvez a solidão, e, portanto, a saudade para outros tantos, além da distância.
Talvez o amor incompreendido.
Talvez o amor inalcançado.
Talvez o amor perdido.
Talvez a saudade do baile, e da dama do baile, discreta, desconhecida e, definitivamente, irrecuperável.
Talvez!   Bem, talvez, mais tantas outras coisas que  induzem a lembrança, a imaginação, e o coração, a produzirem o romantismo, e o momento de romantismo, momento de relaxo, lassidão e languidez.
E por tudo isto sou romântico, claro sem ter falado, ainda, do perfume dos campos e das flores.
Tudo isto, e mais tantas outras coisas geram o romantismo.  Geram, também, o meu romantismo, mas apenas de forma tênue e bruxuleante.  Detalhes, apenas, o tudo acima; pequenos, miúdos, microscópicos detalhes.

28/09/07
JOÃO SZABO

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

TRANSPORTE GRATUITO PARA IDOSOS

Será que pairam dúvidas de que o Estatuto do Idoso concede aos idosos, com idade superior a 65 anos, o direito ao transporte gratuito?

Acredito que não pairem, ou que, pelo menos, não devessem  pairar.

No entanto, e ainda assim, o município gaúcho de Cangaçu editou uma lei que limitou a gratuidade no transporte coletivo para idosos a quatro passagens por mês.

Levado o problema ao Judiciário, o Tribunal de Justiça gaúcho declarou a inconstitucionalidade daquela lei, por ferir o artigo 230, § 2o., da Constituição Federal que garante aos maiores de 65 anos o uso irrestrito e gratuito dos transportes coletivos.

A Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul interpôs Recurso para o Supremo Tribunal Federal, que ao final confirmou o julgado do Tribunal de Justiça gaúcho, através da decisão da Ministra Carmem Lúcia, conforme se vê abaixo:


Uso de transporte coletivo por idosos é irrestrito

O uso de transporte coletivo por maiores de 65 anos é irrestrito e gratuito. Baseada neste entendimento, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou recurso proposto pela Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça gaúcho.
Os desembargadores declararam inconstitucional a lei do município de Cangaçu que limitou a gratuidade no transporte coletivo para idosos a quatro passagens por mês. Para o TJ-RS, a norma fere o artigo 230, parágrafo 2º, da Constituição Federal, que garante aos maiores de 65 anos o uso irrestrito e gratuito dos transportes coletivos.
Ao analisar o recurso, a ministra Cármen Lúcia afirmou que a decisão do TJ-RS está em perfeita harmonia com a jurisprudência do Supremo. Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal.
ARE 639.088

terça-feira, 30 de agosto de 2011

PENSAMENTOS DE ABRAHAM LINCOLN


"Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumera ao
menos dez dos teus."

"Não se criará a prosperidade desestimulando a poupança.
Não se fortalecerá o país subtraindo ao cidadão a iniciativa e a liberdade.
Não se fortalecerá os fracos enfraquecendo os fortes.
Não se estimulará a fraternidade alimentando o ódio de classes.
Não se ajudará o trabalhador arruinando aqueles que empregam.
Não se evitará dificuldades gastando mais que se arrecada.
Não se criará estabilidade permanente com dinheiro emprestado.
Não se ajudará os homens de maneira permanente, fazendo por
eles aquilo que eles devem fazer por si próprios".

"O que quero saber, antes de tudo, não é se fracassaste, mas se
soubeste aproveitar o teu fracasso."

"Só existe uma maneira segura de fazer com que a criança ande
pelo caminho reto: consiste em você trilhar este mesmo caminho"

"Um sonho começa a ser realidade quando sonhamos juntos, olhamos para
além das limitações e ousamos caminhar caminhos novos, às vezes
pedregosos, às vezes escorregadios, mas sempre desafiantes.
Não obstante, nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo é mais
angustiante do que se caminhar solitário... sem mãos que se tocam,
sem ombros que se apóiam, sem olhos que se olham..."

sábado, 27 de agosto de 2011


Um conto:

Meia-noite congelada!

O veículo lutava bravamente contra a borrasca furiosa, que se precipitava sobre a pista.

De quando em quando, no clarão dos relâmpagos, surgiam as faces cadavéricas dos passageiros, logo acompanhada do ribombar ensurdecedor das trovoadas.

O limpador, do pára-brisas, se movimentava de forma incessante, tentando deter o dilúvio que rolava, mostrando, dentro do possível, uma nesga de visibilidade.

O relógio, no painel do veículo, nestes momentos de claridade anunciava que faltavam, ainda, alguns minutos para a meia-noite.

Não era meia-noite, ainda, portanto!

O “ainda” reforça que, por não ser meia-noite, o dia não havia terminado. e assim sendo, não se podia dizer que o que se propunha fazer hoje não pudesse, ainda, ser feito.

Claro que a noite chuvosa, somada ao transbordamento do rio ensejava a impossibilidade de que o proposto seria cumprido.

A luz do  farol do veículo abria, nas trevas à frente, um clarão polvilhado de pontos cintilantes, aumentando, mais ainda, a borrasca que desabava naquele momento.
A chuva torrencial, também, para os passageiros, era um nítido sinal de que o cumprimento do proposto se transformava em impossibilidade.

A luz bruxuleante das luminárias noturnas, que invadia as janelas do veículo, deixava entrever o pequeno relógio no painel do veículo, que continuava sinalizando faltar poucos minutos para a meia-noite.

Não tinham idéia onde estavam neste instante e, também, como chegar ao local do encontro, embora este fosse conhecido.

O veículo, chapinhando, adentrou na pista do viaduto, que levaria o grupo para o outro lado da cidade. A borrasca não dava sinais de enfraquecimento, o que dificultava, e desacreditava,  mais ainda, o objetivo dos ocupantes do veículo.

O relógio, no painel, insistia em sinalizar que faltavam, ainda, alguns minutos para a meia-noite, no piscar frenético, da claridade que não se sustentava como conseqüência do balouçar do veículo.

O veículo desceu célere a rampa do viaduto, formando cortinas de água, nas laterais, se aprofundando no negrume da noite, agora sem iluminação pela ausência de luminárias nas ruas. O que se via à frente do veículo era a cortina de água brilhante, que num verdadeiro embate, disputava com a luz do farol o controle do espaço ocupado por ambos. Fora isto nada podiam ver os passageiros, uma vez que era assustador o negrume ao redor da luz do farol.

Não sabiam onde estavam, e como chegar, deste ponto, ao local do encontro. Não encontrando transeuntes, ou locais onde pudessem obter informações, para seguir, viam escapar pelas mãos os  objetivos da viagem.

Felizmente, numa esquina próxima encontraram um posto de gasolina, que se mostrava fantasmagórico, face à fraca iluminação, em contraste com o negrume noturno dentro do qual se encontrava.

O atendente, solícito, forneceu as informações básicas que necessitavam quanto ao local do encontro, mas para a frustração do grupo, teriam que retornar pelo mesmo viaduto que vieram, pois o endereço procurado se encontrava do outro lado da cidade. O desespero ia tomando conta do grupo, pois não se podia admitir não comparecer no encontro programado.

O relógio do painel, por sua vez, insistia em informar que faltavam, ainda, alguns minutos para a meia-noite.

O guinchar dos pneus, no arranque, demonstrou a importância do encontro e a fatalidade que seria não realizá-lo.

Enfrentaram um rio caudaloso que deslizava pelo viaduto. O veículo, com bravura, vencia cada metro daquele caudal, auxiliado pelas orações daqueles que transportava, embora estes não soubessem porque se estavam submetendo a tudo aquilo. Estavam nutridos de uma fé contagiante de que o objetivo seria atingido, malgrado todas as adversidades encontradas.

Começou a descida do outro lado do viaduto, mais suave, mas não menos tortuosa.  Chegaram, por fim, ao outro lado da cidade. Rumaram para o endereço informado.

O veículo deslizava como um barco sobre o asfalto encharcado, se aproximando célere de um casarão ao final da rua, situado no final da claridade do farol, cuja luz continuava disputando com a borrasca, palmo a palmo, o mesmo espaço, que parecia ser pequeno para os dois. E o relógio, no painel, por sua vez, pacientemente, continuava a mostrar que faltavam poucos minutos para a meia-noite.

Finalmente estacionaram o veículo frente ao casarão, reconhecido como sendo o lugar no qual a tertúlia seria realizada.

Um último olhar no painel do veículo mostrou que o relógio indicava faltar alguns minutos para a meia noite. Um sorriso de alegria se esboçou em cada membro do grupo.

Foram recebidos por um serviçal, que os encaminhou, um a um, protegidos por um amplo guarda-chuva, para o salão de reuniões, onde os aguardava o  outro grupo.

O salão não era luxuoso. Exibia uma certa nobreza originada do mobiliário colonial, vetusto, desbotado pela mão do tempo. A claridade era aceitável, incomodada pelo piscar bruxuleante das labaredas de uma lareira, que crepitava, e tornava acolhedor o ambiente, principalmente em contrate com o ambiente externo. De tempo em tempo, o brilho do raio, adentrando no ambiente, seguido do matracolejar dos trovões, acrescentava ao mesmo um ar cavernoso e fantasmagórico.

Depois das apresentações e cumprimentos de praxe, os documentos foram espalhados sobre a grande mesa oval, sendo assinados de forma febril, objetivando o cumprimento do acordado dentro do prazo proposto, ou seja até à meia-noite deste dia.
O brinde, pelo cumprimento do proposto, dentro do prazo, se tornou indispensável. Também os comentários das dificuldades que precisaram ser superadas para estarem todos ali reunidos.

O tilintar das taças de champanhe, completaram a satisfação do dever cumprido.

O majestoso carrilhão, situado no canto do salão, ao lado da lareira, anunciou sua presença, quando de forma pomposa e solene anunciou meia-noite, como que corroborando o final feliz do compromisso.

De forma rápida, após as despedidas naturais em tais reuniões, o grupo visitante dirigiu-se para o veículo, objetivando o retorno.

A tempestade havia esmaecido, surgindo o clarão matinal que surpreendeu o grupo. Neste momento, quando adentravam no veículo, o sino da torre da igreja local, numa seqüência de marteladas harmoniosas, anunciava 6:00 horas da manhã, acompanhando o relógio, juntamente com o alvor, cujos ponteiros confirmaram a certeza dos sinos.

Até agora não se entendeu porquê o relógio do painel, e o  carrilhão do casarão, insistiram em mostrar que faltavam, ainda, alguns minutos, para a meia-noite.

Talvez a fé, quem sabe?

João Szabo – 30/08/2010