sábado, 17 de setembro de 2011

DILEMAS DE UM ESCRITOR



Confesso, leitores, que hoje estou aborrecido. Deveras contrariado mesmo.

Afiguram-se supérfluos os motivos desta contrariedade, de somenos importância mesmo, contudo somente quem tentou escrever um texto, ou um conto, ou chegou a escrevê-lo, pode ter uma ideia de como tal fato literário pode tirar o autor do sério.

Imagine o leitor que o personagem, criado para ser um vilão, se recuse obedecer ao Autor, e de uma forma totalmente inconveniente, comete, durante a narrativa, uma sucessão de boas ações, danificando totalmente a pretensão daquele, concorrendo, inclusive, de forma desleal com o mocinho do conto, evitando o obrigatório embate entre o bem e o mal, pretermitindo de forma maldosa o enredo do texto proposto pelo autor.

Pois foi isto, leitores, o que aconteceu hoje.

O que ora está sendo escrito substitui o conto que pomposamente estava escrevendo para este espaço, quando surgiu no texto um vilão turrão e desobediente, que, em nenhum momento, agiu como tal, recusando-se, de forma peremptória e intransigente, a aceitar o seu papel, e participar dos atos de maldade que lhe foram destinados no conto, com a simples alegação de que bom caráter que era, não poderia cometer aqueles torpes atos, tão somente porque assim eu, o Autor, o desejava. 

Nem cheguei a consultar o mocinho do conto, para uma possível inversão de papéis, pois o conhecendo, como já o conheço, não me atreveria a tanto, pois acredito que se assim o fizesse, perderia dois personagens: um por desobediência, e outro por melindres psicológicos, que de princípio, confesso, aceito como válidos.

Tentarei, evidentemente, convencer o vilão do conto a mudar de ideia, e colaborar para que o conto possa ser o sucesso que foi projetado. Até lá, nobres leitores, infelizmente, e sem falsa modéstia deste que vos escreve, um excelente conto deixará de ser publicado, e, portanto, apreciado.

João Szabo
17/09/2011

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