(des.cons.tru.ir)
v.
1 Destruir (uma construção) ou desfazer (qualquer tipo de obra), ger. para refazê-la em outros padrões [td.: A estilista desconstruiu pedaços de crochê para transformá-los em coletes.]
(Aulete – Dicionário Digital)
A regra geral, para o ser humano, é construir sempre. Construir uma carreira; construir um patrimônio, construir um lar, e tantas outras construções.
Há construções, no entanto, que depois de algum tempo de acabadas, ou mesmo durante a sua construção, necessitam tantos complementos, que não podem prosseguir.
Pode-se tentar, ao invés de implodi-las, desconstruí-las, voltando ao ponto inicial, e tentando reutilizar aqueles mesmos elementos da desconstrução, para uma nova construção, que atinja os mesmos objetivos.
Algum dos leitores já tentou isto?
Já tentou, por exemplo, desconstruir um grande amor?
Por um largo tempo um amor é construído, com juras, carinho, respeito, admiração, planos, renúncias, e tantos outros componentes que o solidificam, tornando-o uma construção sólida, quase indestrutível, pelo menos naquele momento.
Depois de solidificada a construção, surgem situações totalmente estranhas a ela, e que a tornam inútil, quase imprestável para o fim a que se destinava. Componentes totalmente alheios à vontade dos construtores dificultam a utilização daquela construção. Instala-se o tumulto, instala-se o desentendimento, como regra geral, impedindo o prosseguimento daquele projeto. Excepcionalmente não ocorre o tumulto ou desentendimento. Neste momento que surge a necessidade da implosão ou da desconstrução.
A diferença?
A implosão deixa traumas, deixa seqüelas, deixa ressentimentos, mágoas, e nenhuma saudade. Deixa uma sensação de vazio, e de fracasso.
A desconstrução, inteligente e sensata, deixa amizade, respeito, admiração, apoio, e, acima, de tudo, o principal: saudades.
No cotidiano a implosão é a norma, e a desconstrução é a exceção. Dificilmente se concebe a desconstrução de um grande amor, cujo edifício não atingiu o seu desiderato. A construção do amor, fracassado, simplesmente é destruída com violência, desorganização, e descontrole, gerando todo tipo de transtorno psicológico e material.
A desconstrução, por sua vez, diga-se de passagem, por ser a excepcionalidade, carece de paciência, desprendimento, renúncia, e por incrível que pareça, de amor.
Muitos, talvez, dos leitores, não concordem comigo, e que, talvez, também, nem sequer aceitem como possível a desconstrução inteligente de um grande amor, no entanto já foi escrito que o impossível, em número incontável de vezes, se torna possível.
JOÃO SZABO
18/10/2011
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