Por diversos dias esquentei a cabeça com um problema jurídico, que de princípio se afigurava fácil, mas como conseqüência dos estudos e pesquisas realizados, se tornou complexo e de difícil solução.
Vasculhei os livros de direito disponíveis, pesquisei jurisprudência, ensaiei verdadeiros malabarismos processuais, sem que surgisse uma solução lógica e justificável para o problema.
Diversos dias se passaram, sem que o busilis do problema se dissolvesse.
Na última noite, após o jantar, resolvi rememorar todo o problema, e raciocinar sobre cada um dos pontos duvidosos, visando, de uma forma definitiva, encontrar o caminho processual e encaminhar o problema.
Já, tarde da noite, exausto, e sem qualquer resultado plausível, fui para a cama, procurando a recuperação necessária para o enfrentamento da faina do dia seguinte.
Impregnado pela névoa da sonolência, encontrei-me caminhando pela área central de São Caetano do Sul, onde tenho meu escritório, mais precisamente na Rua Santa Catarina. Estava, neste momento, passando em frente ao escritório do meu ilustre e eterno amigo Doutor Odair Ávila Marafiotti, grande causídico criminalista, respeitado e admirado, e que circunstancialmente enveredava pela seara civil, com igual desenvoltura e eficiência.
Adentrei no seu escritório e, como de costume, fui recebido com aquele abraço amigo, e com aquela alegria contagiante, nele já conhecida.
Em ligeiras pinceladas esbocei o dilema profissional que me incomodava, e como sempre, também, foi todo ouvidos, comentando aqui ou ali algum tópico, que entendia importante, para o entendimento da questão.
Colocado o problema, após alguns curtos comentários sobre o mesmo, e sem maiores delongas, esboçou-me a solução do problema, inclusive citando alguns julgados que amparassem o encaminhamento do problema.
Fiquei duplamente feliz: primeiramente por ter falado com este amigo, que de há muito não via, e segundamente por ter resolvido um problema jurídico que já me transtornava há alguns dias, e cuja solução se perdia no horizonte.
Ao acordar, na manhã seguinte, e já sob a água tépida do chuveiro, tomei consciência de que tudo fora um sonho. Mesmo assim, após o banho, anotei ligeiramente o esquema que o Doutor Odair me havia fornecido, confirmando após alguns estudos e consultas no Código Processual, que a solução adequada era aquela, podendo ser encaminhada de forma segura.
No entanto, a emoção me invadiu, quando, refeito da satisfação de ter a solução do problema, lembrei que este grande amigo, e profissional ilibado, havia falecido há mais de um ano. Mesmo assim não deixou de auxiliar o amigo que, momentaneamente, necessitava um adjutório.
João Szabo
13/10/2011
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