MOTIVOS PARA SER ROMÂNTICO
Talvez, após um drinque, e uma música brega, alguns atingem o auge de um momento de romantismo.
Talvez a brisa, ao cair da tarde.
Talvez a saudade, conseqüência da distancia, e, portanto, a tristeza.
Talvez o pôr do Sol iridescente, numa tarde tremeluzente.
Talvez o perfume da manhã orvalhada.
Talvez o farfalhar das folhagens, numa tarde mole de verão.
Talvez o céu estrelado, o infinito incomensurável., o incompreensível, o desconhecido eterno e inalcançável.
Talvez o canto despreocupado e irresponsável do sabiá, no cimo das árvores, no balanço do vento, no despreocupar da vida.
Talvez uma paisagem bucólica, ao final da tarde, quando a noite vem abraçar o dia, envolvendo-o no seu manto diáfano e aconchegante, repleta de mistérios.
Talvez a saudade de não sei o que, do nó na garganta que gera a lágrima despropositada que teima em balouçar no canto do olho, e que não se tem o interesse de enxugar, para que, temendo, não se apague a figura hesitante da pessoa amada.
Talvez a noite enluarada, e o céu estrelado.
Talvez o mar e o balouçar das ondas espumantes, cintilantes e brilhantes, numa tarde cálida e aconchegante.
Talvez o adejar da borboleta, esbelta, linda, exuberante, com seu balé flutuante, namoricando as flores, despretensiosa e despreocupada, esquecida do passado e do futuro, e da existência.
Talvez o sussurro do vento, e o canto da brisa noturna, na busca da madrugada,.
Talvez o pulsar do coração, e a respiração ofegante.
Talvez a saudade dos lábios, e do beijo roubado, despreocupado, no entanto inesquecível.
Talvez o brilho dos olhos, e a meiguice da pessoa amada, que flutuam em todos os cantos da mente, do coração, e do espaço material e imaterial.
Talvez o céu azulado, e o colchão de nuvens, fofas e brancas, grandiosas numa tarde de verão. O elefante, o lobo e o coelho nelas formados, e a saudade da infância perdida nas brumas do tempo.
Talvez a música sublime, e o arpejo esquecido que birra, inconveniente, nas lembranças do passado.
Talvez o semblante, a silhueta, a sombra, ou apenas a lembrança da pessoa amada.
Talvez, até, não a pessoa amada, mas os momentos de aconchego, de carinho, de afeto e de amor, vividos com a pessoa amada.
Tudo isto, talvez, e mais alguma coisa, ainda..
Talvez o odor do ser amado.
Talvez a respiração calma, e serena, do ser amado, nos momentos de calmaria, após a frágua da batalha de uma noite inesquecível de amor.
Talvez, no fundo de tudo mesmo, o carinho, o afeto, e o amor.
Talvez tudo isto seja motivo de romantismo.
Para alguns, talvez, o rolo e os anéis da fumaça do cigarro. Para outros, talvez, o drinque e a mesa do bar.
Talvez a solidão, e, portanto, a saudade para outros tantos, além da distância.
Talvez o amor incompreendido.
Talvez o amor inalcançado.
Talvez o amor perdido.
Talvez a saudade do baile, e da dama do baile, discreta, desconhecida e, definitivamente, irrecuperável.
Talvez! Bem, talvez, mais tantas outras coisas que induzem a lembrança, a imaginação, e o coração, a produzirem o romantismo, e o momento de romantismo, momento de relaxo, lassidão e languidez.
E por tudo isto sou romântico, claro sem ter falado, ainda, do perfume dos campos e das flores.
Tudo isto, e mais tantas outras coisas geram o romantismo. Geram, também, o meu romantismo, mas apenas de forma tênue e bruxuleante. Detalhes, apenas, o tudo acima; pequenos, miúdos, microscópicos detalhes.
28/09/07
JOÃO SZABO
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