UM CONTO DE NATAL
Vou escrever um Conto de Natal.
Por
que mais um Conto de Natal, quando tantos luminares e gênios da literatura já o
fizeram com melhor e maior propriedade?
Provavelmente todos os grandes gênios da literatura escreveram contos ou
algumas linhas sobre o Natal, em alguns dos seus momentos de inspiração.
O
Natal, a mais importante data da Cristandade, na qual se comemora o nascimento
de Jesus Cristo deve, portanto, representar o momento em que a paz, a harmonia
familiar e humana, a bondade, a magnanimidade, a suavização dos corações rudes,
a compreensão, e a concórdia atingem o clímax. O Natal representa o relaxamento das tensões,
e o abrandamento das tensões, e o abrandamento das diferenças entre os seres
humanos.
Mas,
dizia eu, vou escrever um Conto de Natal.
O
presépio se torna indispensável num Conto de Natal. Da mesma forma a árvore de natal, com suas
bolinhas coloridas; a ceia farta, ao redor da qual a família festiva e feliz se
reúne; os pacotes de presentes e brinquedos, que iluminam os olhinhos e alargam
o sorriso dos pequeninos. Não podemos
nos esquecer do Papai Noel ou São Nicolau, figura tão querida e tão
ansiosamente aguardada pelas crianças. Não nos enganemos: bem no fundo do nosso
âmago, bem no fundo dos nossos corações, onde subsiste aquele pedaço de
menininho, ou menininha, existe aquela espera do Papai Noel. Nós nos recusamos
a acreditar na sua inexistência, e naquele momento mágico do Natal, tanto como
as criancinhas, aguardamos ansiosamente que o mesmo nos traga um presente. Pode
ser uma flor, um abraço, um beijo fraterno e carinhoso do ser amado, ou apenas
um telefonema desejando um bom Natal. A criancinha que eternamente subsiste em
todos nós, almeja pela presença do Papai Noel. Nesse momento de magia, o nosso
processador infantil, em toda a sua plenitude, extravasa todo o lado bom do ser
humano, e esquecendo que não somos nem menininhos, e nem menininhas, aguardamos
o nosso momento de podermos trocar algumas palavras com este maravilhoso ser de
roupas vermelhas e barbas brancas. E, esta é a maior magia do Natal, quando
após a espera ansiosa, e a não vinda do Papai Noel, o desculpamos, uma vez que
no fundo acreditamos que apenas deixou de vir, pois teve algum contratempo que
o impedisse de chegar.
Mas
eu tenho como propósito escrever um Conto de Natal, e vou fazê-lo.
Será
que o Natal existe quando não existe ceia de Natal? E quando não há árvore de Natal com bolinhas
coloridas? Nem pacotes de presentes? Nem família, nem Papai Noel, nem São
Nicolau? Será que existe o aguardo do momento mágico que transforma os
corações? É tudo tão nebuloso. O que dizer das criancinhas que não aprenderam
que o momento do Natal é o seu grande momento? Talvez por não terem aprendido
deixaram de usufruir a grandiosidade deste momento mágico. No entanto a
humanidade ficará em débito com as mesmas, por lhes terem tirado este momento
mágico chamado Natal. Preparar as crianças para ter saudade dos Natais da infância,
além de ser uma obrigação dos pais, deveria ser um direito das crianças,
inserido, inclusive, no Estatuto do Menor e do Adolescente.
Porém,
como eu disse, vou escrever um Conto de Natal. Podem ter certeza que vou.
João
Szabo
23/12/2017
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