sábado, 5 de dezembro de 2015

"SEMPRE TEM UM CORNO..."



Estava eu, juntamente com outros pedestres, atravessando uma Avenida movimentada, em São Caetano do Sul.

O semáforo verde estava a favor dos pedestres, quando de forma inesperada um motorista avançou o semáforo vermelho dele, quase atropelando os transeuntes.

Ouvi num alto e bom som: − “Sempre tem um corno!”

Realmente me pareceu até suave aquela observação, mas, no momento, bastante sensata e representativa da atuação do infrator.

No trânsito isto já está solidificado. Não é raro, portanto, que a frase seja ouvida com certa freqüência, até porque trânsito, parece, se traduz em formação e educação, que, convenhamos, não é o forte do brasileiro, num porcentual bem elevado.

Sugeriria, até, que fosse votada uma lei, que determinasse ao Setor competente pendurar em cada semáforo uma tabuleta com os dizeres: “Sempre tem um corno...”.

E cá com os meus botões fiquei ruminando a frase, e imaginando se cada deslize legal merecesse o som da frase ou uma tabuleta fiscalizadora da atitude ilícita.

Vamos imaginar em Brasília, se os nossos parlamentares, em ambas as casas congressuais, pudessem, a cada deslize cometido (e olha que não são poucos), ostentar na parte superior de seus gabinetes uma tabuleta com a frase “Sempre tem um corno...”.

Imaginem isto ocorrendo na porta dos Ministérios, Secretarias Estaduais e Secretarias Municipais, e também com os funcionários do primeiro escalão dos governos federal, estadual e municipal.

Sem exagerar se nos afigura que haveria uma quantidade imensa de tabuletas, onerando sobremaneira o contribuinte, já tão massacrado pelos impostos, cuja utilidade não é outra que não sustentar a corrupção e o desvio criminoso de muitos bandidos que estão hoje governando o país.

Imaginem estendermos isto para todos aqueles que não honram sua profissão, desviando o seu mister para a desonestidade? Da pedofilia na igreja, nas operadoras de telefonia, que com frequência recebem o crédito do cliente, mas não aparece na linha telefônica, e todas as situações possíveis e imagináveis!

Cada um dos leitores poderá imaginar onde e quando tais tabuletas, com os dizeres: “Sempre tem um corno...” poderá e merecerá ser instalada.

Não esqueçamos daqueles homens, cornos naturais, que orgulhosamente por aí desfilam exibindo a sua condição. Não obstante terem a sua condição conhecida, não poderiam deixar de ostentar, também, a sua tabuleta.

Agora, finalmente, com o quadro completo, poderíamos imaginar a quantidade de tabuletas que seriam expostas. Postes, pontos de ônibus, estações rodoviárias, ferroviárias e metroviárias ficariam abarrotas de tabuletas, com os mais variados tamanhos e cores (salvo se a lei viesse a regulamentar um formato padrão, para cada situação), impedindo, inclusive que se vislumbrasse o objetivo para o qual nos dirigimos!

Seria uma poluição visual inaceitável e maltratante.

Melhor não, então!

João Szabo

05/12/2015

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