Estava eu, juntamente com outros pedestres, atravessando
uma Avenida movimentada, em São Caetano do Sul.
O semáforo verde estava a favor dos pedestres, quando de
forma inesperada um motorista avançou o semáforo vermelho dele, quase atropelando
os transeuntes.
Ouvi num alto e bom som: − “Sempre tem um corno!”
Realmente me pareceu até suave aquela observação, mas, no
momento, bastante sensata e representativa da atuação do infrator.
No trânsito isto já está solidificado. Não é raro,
portanto, que a frase seja ouvida com certa freqüência, até porque trânsito,
parece, se traduz em formação e educação, que, convenhamos, não é o forte do
brasileiro, num porcentual bem elevado.
Sugeriria, até, que fosse votada uma lei, que determinasse
ao Setor competente pendurar em cada semáforo uma tabuleta com os dizeres:
“Sempre tem um corno...”.
E cá com os meus botões fiquei ruminando a frase, e
imaginando se cada deslize legal merecesse o som da frase ou uma tabuleta
fiscalizadora da atitude ilícita.
Vamos imaginar em Brasília, se os nossos parlamentares, em
ambas as casas congressuais, pudessem, a cada deslize cometido (e olha que não
são poucos), ostentar na parte superior de seus gabinetes uma tabuleta com a
frase “Sempre tem um corno...”.
Imaginem isto ocorrendo na porta dos Ministérios, Secretarias
Estaduais e Secretarias Municipais, e também com os funcionários do primeiro
escalão dos governos federal, estadual e municipal.
Sem exagerar se nos afigura que haveria uma quantidade
imensa de tabuletas, onerando sobremaneira o contribuinte, já tão massacrado
pelos impostos, cuja utilidade não é outra que não sustentar a corrupção e o
desvio criminoso de muitos bandidos que estão hoje governando o país.
Imaginem estendermos isto para todos aqueles que não honram
sua profissão, desviando o seu mister para a desonestidade? Da pedofilia na
igreja, nas operadoras de telefonia, que com frequência recebem o crédito do
cliente, mas não aparece na linha telefônica, e todas as situações possíveis e imagináveis!
Cada um dos leitores poderá imaginar onde e quando tais
tabuletas, com os dizeres: “Sempre tem um corno...” poderá e merecerá ser
instalada.
Não esqueçamos daqueles homens, cornos naturais, que
orgulhosamente por aí desfilam exibindo a sua condição. Não obstante terem a sua
condição conhecida, não poderiam deixar de ostentar, também, a sua tabuleta.
Agora, finalmente, com o quadro completo, poderíamos
imaginar a quantidade de tabuletas que seriam expostas. Postes, pontos de
ônibus, estações rodoviárias, ferroviárias e metroviárias ficariam abarrotas de
tabuletas, com os mais variados tamanhos e cores (salvo se a lei viesse a
regulamentar um formato padrão, para cada situação), impedindo, inclusive que
se vislumbrasse o objetivo para o qual nos dirigimos!
Seria uma poluição visual inaceitável e maltratante.
Melhor não, então!
João Szabo
05/12/2015