domingo, 18 de dezembro de 2011

NATAL DE 2011 - CARTINHA PARA O PAPAI NOEL


Querido Papai Noel:

Inicialmente, Papai Noel, para justificar minha cartinha, e o teor da mesma, quero me apresentar: sou uma criança, já idosa, com 67 anos, mas com um coração de menino.

Nos idos da minha infância, que se perdeu nas brumas do tempo, e dentro das peculiaridades da inocência nela contida, escrevi, para você, Papai Noel, diversas cartinhas, nas quais externava os meus pedidos, que se traduziam em modestos brinquedos, como bolas, carinhos, etc.

Em nenhuma dessas oportunidades recebi sua visita, ou os brinquedos que pedi. Aguardava, no dia de Natal, a tua vinda, até alta madrugada, o que nunca ocorreu.

Era interessante que no dia de Natal, mais precisamente na noite de Natal, sentia que papai e mamãe ficavam tristes, mais do que nos dias normais, e somente com o passar dos Natais, e da vida, quando já adolescente, constatei que éramos pobres (não sabia que havia pobres e ricos), e que você, Papai Noel, não vinha visitar os pobres, pois talvez não sobrasse tempo, uma vez que dedicava todo o seu tempo, para a visita e entrega dos presentes, às crianças ricas.

Sempre, mesmo agora, quero acreditar que a sua ausência se deveu a algum problema com as renas ou com o trenó, ou algum contratempo, deveras importante, que o impedisse de vir. Por todos estes anos acreditei que um dia você viria, e iria me trazer um daqueles modestos brinquedos que pedi nas minhas inocentes cartinhas.

No entanto, Papai Noel, independentemente possam, em algum Natal, ser atendidas aquelas cartinhas, mando esta pedindo presentes que aparentemente não são de sua alçada, uma vez que, por muitos longos, anos não encontrei para quem pedir, pois não existem pessoas ou entidades que possam atendê-los.

Desejaria que, neste Natal, você mandasse:

1 - um Brasil democrático, pois aquilo que aqui temos, e que se convencionou chamar de democracia, é muito frágil, presa fácil para bandidos, facínoras e corruptos.

2 - um Estado de Direito, pois até agora não temos um por aqui, uma vez que o “nosso estado de direito” se dobrou à violência, a bandidagem, e a impunidade. É mais cômodo para este Estado de direito mandar instalar portas giratórias nos bancos e impedir que brasileiros honestos usem seu celular no interior dos bancos, do que combater a bandidagem. Temos que fazer das nossas casas verdadeiras prisões, com muros altos, grades, e cercas elétricas, pois a grande maioria dos bandidos esta circulando livremente, sem que sejam importunados. Sem contarmos, ainda, com a corrupção incontrolável que assola o país, sem qualquer tipo de punição, tirando toda a credibilidade daquilo que aqui nós chamamos de estado de direito.

3 – Um artigo constitucional que diga “que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, “à igualdade, à segurança” e à propriedade, mas que realmente seja cumprido, pois o que temos em nossa constituição freqüentemente não é cumprido, pois acabou por criar um grupo de brasileiros que são “mais iguais”, e que usam o hospital Sírio Libanês para tratar suas doenças, cujas despesas são pagas pelos iguais deste país, e que normalmente nem sequer direito a tratamento têm. Não esqueça, também, de mandar um judiciário que realmente faça cumprir esta cláusula como ela está escrita.

4 – a punibilidade para os políticos corruptos, pois a corrupção deslavada que assola o país atingiu este patamar não só pela omissão dos governantes, como também pela impunidade, que é um incentivo às práticas criminosas.

5 – o julgamento do “mensalão”, pelo Supremo Tribunal Federal, antes da prescrição.


Acho, então, Papai Noel, depois de 67 natais, que não estou pedindo nada mais justo, embora admita que não será fácil atender o pedido externado nesta cartinha.

É por isto, afinal, que acredito em Papai Noel.

JOÃO SZABO
18/12/2011

domingo, 4 de dezembro de 2011

PASSADO, PRESENTE E FUTURO

“Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca, 
É não ver o futuro que nos convida...”

Muito se tem falado e escrito sobre estes três momentos do tempo. Considerando o ser humano em sua vida material, na realidade momento mesmo, como entendido, é uma micrométrica parte do tempo como convencionamos medi-lo, através de milênios, séculos, anos, meses, dias, horas, minutos, segundos, décimo de segundo, centésimo de segundo, milésimo de segundo, e outros menores, que não alteram o objetivo deste texto.

O presente é o momento, inclusive, que separa o passado do futuro, pois a quantidade mínima de tempo mensurável, o agora, é o ponto que separa o passado do futuro.

O passado é o tempo já decorrido, nada podendo ser feito para mudá-lo, não importa quantas vidas tenhamos vivido. Dele, quanto aos nossos momentos decorridos, desta vida, e não de outras, temos lembranças, algumas que se perdem nas brumas do tempo.

O futuro é todo o tempo desconhecido, que não ocorreu, e, portanto, também, totalmente incerto quanto ao seu tempo e sua existência, se considerarmos a existência humana, pelo menos. A única coisa que sabidamente cada ser humano sabe que irá acontecer no futuro, é a morte corporal, que nada mais é que uma transformação da forma da matéria. Portanto o tempo, para os seres humanos, se traduz no passado que vai do nascimento até o agora, e o futuro, do agora até a morte. A quantidade de tempo passado, neste sentido é conhecida, o micrométrico agora também é conhecido, e a quantidade de tempo que comporá o futuro é desconhecido, pois desconhecido é o momento da morte corporal.

O presente é sutil, é fugaz, pois no momento do piscar de olho, sua execução completa já o torna passado. O presente, de uma forma mais ampla, também pode ter passado e futuro. Quando digo que no momento estou lendo um livro, a leitura do livro é presente, mas cada página lida é passado, e as ainda a ler é futuro. Diríamos, então, que o agora, o presente, vai absorvendo o futuro, e ampliando o passado. É como um ponto móvel que transita entre o nascimento e a morte. A cada momento que passa, o presente se torna passado e o futuro tornando-se presente, passa a integrar o passado até a consumação do tempo de vida do organismo humano, que com a morte se transforma, encerrando-se o ciclo de vida, como o conhecemos.

Esta sensação de passado, presente e futuro deixa de ser considerada quando deixamos de existir como seres materiais, pois pertenceremos ao passado, como tantos seres que nasceram, viveram e morreram.

Assim existem os seres vivos que vivem no presente, aqueles que já faleceram e, portanto, pertencem ao passado, e aqueles que ainda vão nascer e, portanto, pertencem ao futuro.

Assim analisado o tema, vemos que o passado, o presente e o futuro independem da existência humana, pois houve passado antes do homem existir, houve presente, como hoje os há, e também sempre os houve, e que se transformaram em passado, e houve o futuro, parte que se transformou em passado, e parte que ainda não ocorreu.  Como a mensuração do tempo foi criada pelo ser humano, utilizando os mecanismos que a natureza lhe ofereceu, como a noite e o dia, a existência do sol e da lua, as estrelas, concluiremos que na inexistência do ser humano, estes três momentos, passado, presente e futuro, se fundem num só tempo formando a eternidade, que sempre existiu, existe e existirá. O ser humano, portanto, como nós nos concebemos, aparecemos e desapareceremos dentro desta eternidade, pelas vias da transformação.

Os procariontes, com indícios de DNA, surgidos na Terra, no período Arqueano, há cerca de 3,5 bilhões de ano (medida de tempo criada pelo ser humano), foram a primeira forma de vida do planeta, os quais desapareceram, por transformação, dando origem a outros seres mais complexos, os Eucariontes, que, por sua vez, deu origem a outros, assim sucessivamente, chegando até o ser humano, que por certo desaparecerá como tal, dando origem a outros seres mais complexos e evoluídos.

O passado do ser humano é toda a existência da vida ocorrida no passado até seu surgimento. O presente do ser humano, que já dura milênios, é como o concebemos hoje, e o futuro é uma incógnita, pois ainda não ocorreu.

Da mesma forma que ocorre com o tempo microscópico da vida humana, o presente vai abiscoitando uma parte do futuro e transformando-a em passado. Foram assim que os bilhões de anos, já estudados, aconteceram.

No início, o início foi o presente e todo o resto era futuro. Não havia passado. Com o passar do primeiro presente surgiu o passado. O presente foi se transformando em passado; o futuro em presente, e assim de forma contínua. Não esquecendo que tudo isto representa a eternidade que não conhecemos, pois ela é tudo: presente, passado, e futuro. Aliás, o próprio passado, o presente e o futuro são criações da existência humana.

JOÃO SZABO
04/12/2011