terça-feira, 30 de agosto de 2011

PENSAMENTOS DE ABRAHAM LINCOLN


"Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumera ao
menos dez dos teus."

"Não se criará a prosperidade desestimulando a poupança.
Não se fortalecerá o país subtraindo ao cidadão a iniciativa e a liberdade.
Não se fortalecerá os fracos enfraquecendo os fortes.
Não se estimulará a fraternidade alimentando o ódio de classes.
Não se ajudará o trabalhador arruinando aqueles que empregam.
Não se evitará dificuldades gastando mais que se arrecada.
Não se criará estabilidade permanente com dinheiro emprestado.
Não se ajudará os homens de maneira permanente, fazendo por
eles aquilo que eles devem fazer por si próprios".

"O que quero saber, antes de tudo, não é se fracassaste, mas se
soubeste aproveitar o teu fracasso."

"Só existe uma maneira segura de fazer com que a criança ande
pelo caminho reto: consiste em você trilhar este mesmo caminho"

"Um sonho começa a ser realidade quando sonhamos juntos, olhamos para
além das limitações e ousamos caminhar caminhos novos, às vezes
pedregosos, às vezes escorregadios, mas sempre desafiantes.
Não obstante, nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo é mais
angustiante do que se caminhar solitário... sem mãos que se tocam,
sem ombros que se apóiam, sem olhos que se olham..."

sábado, 27 de agosto de 2011


Um conto:

Meia-noite congelada!

O veículo lutava bravamente contra a borrasca furiosa, que se precipitava sobre a pista.

De quando em quando, no clarão dos relâmpagos, surgiam as faces cadavéricas dos passageiros, logo acompanhada do ribombar ensurdecedor das trovoadas.

O limpador, do pára-brisas, se movimentava de forma incessante, tentando deter o dilúvio que rolava, mostrando, dentro do possível, uma nesga de visibilidade.

O relógio, no painel do veículo, nestes momentos de claridade anunciava que faltavam, ainda, alguns minutos para a meia-noite.

Não era meia-noite, ainda, portanto!

O “ainda” reforça que, por não ser meia-noite, o dia não havia terminado. e assim sendo, não se podia dizer que o que se propunha fazer hoje não pudesse, ainda, ser feito.

Claro que a noite chuvosa, somada ao transbordamento do rio ensejava a impossibilidade de que o proposto seria cumprido.

A luz do  farol do veículo abria, nas trevas à frente, um clarão polvilhado de pontos cintilantes, aumentando, mais ainda, a borrasca que desabava naquele momento.
A chuva torrencial, também, para os passageiros, era um nítido sinal de que o cumprimento do proposto se transformava em impossibilidade.

A luz bruxuleante das luminárias noturnas, que invadia as janelas do veículo, deixava entrever o pequeno relógio no painel do veículo, que continuava sinalizando faltar poucos minutos para a meia-noite.

Não tinham idéia onde estavam neste instante e, também, como chegar ao local do encontro, embora este fosse conhecido.

O veículo, chapinhando, adentrou na pista do viaduto, que levaria o grupo para o outro lado da cidade. A borrasca não dava sinais de enfraquecimento, o que dificultava, e desacreditava,  mais ainda, o objetivo dos ocupantes do veículo.

O relógio, no painel, insistia em sinalizar que faltavam, ainda, alguns minutos para a meia-noite, no piscar frenético, da claridade que não se sustentava como conseqüência do balouçar do veículo.

O veículo desceu célere a rampa do viaduto, formando cortinas de água, nas laterais, se aprofundando no negrume da noite, agora sem iluminação pela ausência de luminárias nas ruas. O que se via à frente do veículo era a cortina de água brilhante, que num verdadeiro embate, disputava com a luz do farol o controle do espaço ocupado por ambos. Fora isto nada podiam ver os passageiros, uma vez que era assustador o negrume ao redor da luz do farol.

Não sabiam onde estavam, e como chegar, deste ponto, ao local do encontro. Não encontrando transeuntes, ou locais onde pudessem obter informações, para seguir, viam escapar pelas mãos os  objetivos da viagem.

Felizmente, numa esquina próxima encontraram um posto de gasolina, que se mostrava fantasmagórico, face à fraca iluminação, em contraste com o negrume noturno dentro do qual se encontrava.

O atendente, solícito, forneceu as informações básicas que necessitavam quanto ao local do encontro, mas para a frustração do grupo, teriam que retornar pelo mesmo viaduto que vieram, pois o endereço procurado se encontrava do outro lado da cidade. O desespero ia tomando conta do grupo, pois não se podia admitir não comparecer no encontro programado.

O relógio do painel, por sua vez, insistia em informar que faltavam, ainda, alguns minutos para a meia-noite.

O guinchar dos pneus, no arranque, demonstrou a importância do encontro e a fatalidade que seria não realizá-lo.

Enfrentaram um rio caudaloso que deslizava pelo viaduto. O veículo, com bravura, vencia cada metro daquele caudal, auxiliado pelas orações daqueles que transportava, embora estes não soubessem porque se estavam submetendo a tudo aquilo. Estavam nutridos de uma fé contagiante de que o objetivo seria atingido, malgrado todas as adversidades encontradas.

Começou a descida do outro lado do viaduto, mais suave, mas não menos tortuosa.  Chegaram, por fim, ao outro lado da cidade. Rumaram para o endereço informado.

O veículo deslizava como um barco sobre o asfalto encharcado, se aproximando célere de um casarão ao final da rua, situado no final da claridade do farol, cuja luz continuava disputando com a borrasca, palmo a palmo, o mesmo espaço, que parecia ser pequeno para os dois. E o relógio, no painel, por sua vez, pacientemente, continuava a mostrar que faltavam poucos minutos para a meia-noite.

Finalmente estacionaram o veículo frente ao casarão, reconhecido como sendo o lugar no qual a tertúlia seria realizada.

Um último olhar no painel do veículo mostrou que o relógio indicava faltar alguns minutos para a meia noite. Um sorriso de alegria se esboçou em cada membro do grupo.

Foram recebidos por um serviçal, que os encaminhou, um a um, protegidos por um amplo guarda-chuva, para o salão de reuniões, onde os aguardava o  outro grupo.

O salão não era luxuoso. Exibia uma certa nobreza originada do mobiliário colonial, vetusto, desbotado pela mão do tempo. A claridade era aceitável, incomodada pelo piscar bruxuleante das labaredas de uma lareira, que crepitava, e tornava acolhedor o ambiente, principalmente em contrate com o ambiente externo. De tempo em tempo, o brilho do raio, adentrando no ambiente, seguido do matracolejar dos trovões, acrescentava ao mesmo um ar cavernoso e fantasmagórico.

Depois das apresentações e cumprimentos de praxe, os documentos foram espalhados sobre a grande mesa oval, sendo assinados de forma febril, objetivando o cumprimento do acordado dentro do prazo proposto, ou seja até à meia-noite deste dia.
O brinde, pelo cumprimento do proposto, dentro do prazo, se tornou indispensável. Também os comentários das dificuldades que precisaram ser superadas para estarem todos ali reunidos.

O tilintar das taças de champanhe, completaram a satisfação do dever cumprido.

O majestoso carrilhão, situado no canto do salão, ao lado da lareira, anunciou sua presença, quando de forma pomposa e solene anunciou meia-noite, como que corroborando o final feliz do compromisso.

De forma rápida, após as despedidas naturais em tais reuniões, o grupo visitante dirigiu-se para o veículo, objetivando o retorno.

A tempestade havia esmaecido, surgindo o clarão matinal que surpreendeu o grupo. Neste momento, quando adentravam no veículo, o sino da torre da igreja local, numa seqüência de marteladas harmoniosas, anunciava 6:00 horas da manhã, acompanhando o relógio, juntamente com o alvor, cujos ponteiros confirmaram a certeza dos sinos.

Até agora não se entendeu porquê o relógio do painel, e o  carrilhão do casarão, insistiram em mostrar que faltavam, ainda, alguns minutos, para a meia-noite.

Talvez a fé, quem sabe?

João Szabo – 30/08/2010